O que aprendemos na primeira Jornada da Cátedra SAPI: saúde infantil em movimento
A saúde do pé infantil influencia a forma como as crianças caminham, correm, brincam, se equilibram e se relacionam com o mundo. No entanto, é um tema que muitas vezes fica envolto em dúvidas, opiniões contraditórias ou recomendações que não convencem totalmente. Por isso a primeira Jornada da Cátedra de Saúde do Pé Infantil (SAPI), realizada no Hospital Clínic de Barcelona, foi tão relevante: não foi mais um evento académico, mas sim um encontro concebido para aproximar a ciência da vida real das famílias.
A jornada, impulsionada pela UCAM, SEBIOR, a Universitat de Barcelona e a Pablosky, reuniu profissionais de toda a Espanha num dia completo de formação sob um lema que o dizia tudo: "Caminhar melhor, viver melhor. Saúde infantil em movimento". Durante mais de doze horas foram partilhados conhecimentos, experiências clínicas e perspetivas atualizadas sobre como se desenvolve o pé infantil e como acompanhá-lo de forma adequada.
Um dos momentos mais importantes do dia foi a participação da Dra. Ángela Evans, considerada uma das maiores especialistas em podologia pediátrica a nível mundial. A sua presença foi um verdadeiro acontecimento para os participantes: formadores, podólogos clínicos, estudantes e profissionais do âmbito da saúde que tiveram a oportunidade de aprender e partilhar casos, metodologias e critérios de avaliação. Não só trouxe a sua experiência internacional, como também ajudou a conectar a investigação mais recente com as preocupações do dia a dia em consulta.
Além da sua intervenção, a jornada abordou temas muito concretos que afetam diretamente o dia a dia de milhares de famílias. Falou-se da marcha em adução, esse caminhar "com os pés para dentro" que tanta inquietação gera em pais e mães. Foram revistos padrões de hipermobilidade, cada vez mais frequentes, e como adaptar o calçado para acompanhar pés muito flexíveis sem limitar o seu movimento natural. Também se analisou o impacto do desporto infantil na saúde do pé, a importância da posturologia no desenvolvimento corporal global, e aprofundou-se em certas alterações do astrágalo, um osso fundamental no alinhamento e na forma de caminhar.
Outro bloco muito valorizado pelos participantes foi o dedicado à construção do calçado infantil e desportivo: que elementos favorecem uma pisada natural, por que razão a flexibilidade é tão importante, qual é o papel do drop 0 e da forma larga no desenvolvimento, e que características distinguem um sapato saudável de um que não o é. Houve mesmo um workshop prático sobre orteses de silicone para corrigir deformidades digitais infantis de forma respeitosa e não invasiva.
Os profissionais coincidiram em que o encontro foi uma mistura perfeita de teoria e prática. Um deles resumiu-o assim: "Conhecendo, partilhando, aprendendo e tecendo rede. Isto é somar pela saúde infantil." Outro participante acrescentou: "Obrigado por criar esta cátedra para dar luz à podologia pediátrica." A sensação geral foi a de estar perante um movimento necessário: um espaço onde a comunidade sanitária e educativa pode atualizar-se, partilhar critérios e avançar para uma visão mais preventiva e baseada em evidências.
A Cátedra SAPI, dirigida pelo Dr. Gabriel Gijón Noguerón e coordenada pelo Dr. Manuel Pardo Ríos, tem precisamente esse propósito: unir ciência, educação e prática clínica para que o conhecimento não fique em congressos nem em salas universitárias, mas chegue ao pátio da escola, à aula de psicomotricidade e ao momento em que os pais escolhem o próximo par de sapatos.
E é aqui que este projeto se encontra com a Pablosky. Desenhar calçado infantil é uma responsabilidade enorme: cada material, cada flexão, cada milímetro de forma influencia o desenvolvimento dos pés que o vão usar. Para nós, acompanhar a investigação não é uma questão de marketing; é uma questão de fazer produtos que respeitem a forma natural de se mover, com flexibilidade real, drop 0 e espaço para que os dedos trabalhem como devem. É ser úteis para os pais e mães que querem tomar decisões informadas e tranquilas.
Esta primeira Jornada SAPI foi a confirmação de que a ciência e a infância devem caminhar juntas. Que a prevenção começa nos primeiros passos. Que a divulgação importa tanto quanto a investigação. E que respeitar os seus pés é respeitar a sua forma de descobrir o mundo.


